quarta-feira, 28 de março de 2012

O DECÁLOGO, DE KIÉSLOWSKI, NESTE SÁBADO. ENTRADA GRATUITA!



O Tela Tudo Clube de Cinema exibe neste sábado (31) os episódios I e X do DECÁLOGO, série televisiva do cineasta polonês Krzysztof Kiéslowski. Baseada nos dez mandamentos bíblicos e premiada em inúmeros festivais de cinema, a obra é um desafio para críticos pelos questionamentos que suscita nas diversas áreas do conhecimento humano. Seu eco é atemporal porque seu objeto é o homem. A sessão acontece às 14h30min, no Cine SESI Pajuçara. A entrada é gratuita.

No episódio I, um menino se questiona entre a visão racional e científica do pai e a crença religiosa de uma tia, enquanto calcula respostas para problemas cotidianos em um computador. No episódio X, dois irmãos afastados são obrigados a tomar medidas de segurança para proteger a inesperada herança do pai, um colecionador de selos que em vida mal se dedicou a família, mas construiu obsessivamente uma grande fortuna.

/Texto-convite

Um homem corre sobre o gelo, pára em frente a um edifício de concreto e olha para cima. A fachada, em forma de cruz, o engole apontando suas linhas para o infinito. Em um andar mais alto, uma luz azulada vaza até ser consumida pela noite. O homem tira uma lupa do bolso e olha para o relógio no pulso através dela. Uma mão toca seu ombro, os apartamentos se acendem - ele olha para dentro.

Em o Decálogo (1988), de Krzysztof Kiéslowski, um conjunto habitacional na Varsóvia (Polônia) é o espaço simbólico para uma jornada pelo comportamento humano e seus dilemas cotidianos mais profundos. Em uma livre adaptação dos dez mandamentos do Velho Testamento, a série de dez médias-metragens para a TV polonesa é uma obra densa e tão magnetizante que atingiu o lugar de obra-prima do cinema. De tão funda, se simplifica, de tão simples, se alarga.

Se cada um dos filmes fosse uma carta, poderíamos enxergar todo o baralho ao retirar em desordem qualquer uma delas. A quantidade e o volume de suas camadas mais produzem questões, invariavelmente desconcertantes, do que nos dão qualquer tipo de resposta. A nós e a seus personagens, a nós, seus personagens, certeiramente, assim como o homem misterioso onisciente que aparece em todos os dez filmes e nos suga para dentro da narrativa olhando para câmera no início do episódio I. O homem com olhos de abismo.

Originalmente, os filmes não receberam os nomes dos mandamentos, sendo os episódios identificados apenas por um número em algarismo romano. Assim como o edifício (o todo) e seus andares (as partes) são sempre uma referência ao fundo de qualquer plano exterior, somos conduzidos em uma ordem desordenada por todos eles, pois o que se vê, de fato, é o transpassamento das questões morais levantadas pelas dez palavras de Deus (Decálogo) e seu revezamento na linha de frente das narrativas alegóricas. Essa insistência, ou a persistência inteligente, se suaviza na acertada decisão de Kiéslowski em eleger diferentes miradas para a fotografia, pois cada episódio é assinado por um diretor.

As parábolas são contraditoriamente precisas para o conteúdo agnóstico da poesia de Kiéslowski. Característica já usada até mesmo com tom de acusação contra o cineasta, mas que deveria soar em consonância, pois parece sair daí o seu melhor cinema. Um cinema de confrontação, antes de tudo. O seu agnosticismo, ou o como quer que chamemos o escuro da sua abordagem metafísica, é sinceramente humano. Não acredita nem descrê, não nega a possibilidade.

Do princípio (alfa), o Decálogo I, somos atirados ao fim (ômega), o décimo. Entre eles, o abismo e suas pedras. Amor, ódio, ciúme, cobiça, inveja, a traição, o roubo, a desconfiança, a fé, a solidão, a amizade, o pressentimento, o desnorteamento orientado do acaso. O homem e suas falhas, suas destruições belamente construídas, a mesma fonte de onde saltam qualidades e defeitos, como a grama verde que nasce no meio do lodo na primeira imagem de toda a série.

No último episódio, as mãos estendidas para o ceú do irmão mais novo nos remetem ao número dez e aos braços infantis do menino do primeiro filme. Amarás a Deus sobre todas as coisas se une a Não cobiçarás coisas alheias. Por um momento, os dois irmãos sentem-se crianças novamente e pensam não ter problema algum. É que os homens precisam de tempo, mas este, naturalmente, não é uma garantia.

Tela Tudo Clube de Cinema convida para a exibição dos episódios I e X do Decálogo ou, universalmente, dos defeitos que sustentam o nosso edifício.

Outros filmes do diretor: http://www.imdb.pt/name/nm0001425/

/ ALFA E ÔMEGA: O DECÁLOGO (episódios I e X), de Krzysztof Kiéslowski
1989, 104 min, Polônia

QUANDO: 31 de março de 2012, SÁBADO, às 14h30min
ONDE: Cine SESI Pajuçara
ENTRADA GRATUITA
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 14 anos

REALIZAÇÃO
Tela Tudo Clube de Cinema

PARCERIA
Centro Cultural SESI

/créditos
Cartaz, banner e visual do site: Flora Paim
Texto-convite e edição de informações: Lis Paim

O TELA TUDO CLUBE DE CINEMA É FILIADO AO CONSELHO NACIONAL DE CINECLUBES BRASILEIROS. CINEMA É CULTURA.

sexta-feira, 23 de março de 2012

OS SIMPSONS





SINOPSE:

A série animada de maior duração da história, e o mais longo sitcom no horário nobre da televisão, OS SIMPSONS é também uma instituição cultural. Os Simpsons tem fãs em todo o mundo, principalmente por ser escrita de maneira inteligente, com um humor subversivo e deliciosamente engenhoso. A série foi elogiada pela crítica e ganhou inúmeros prêmios, inclusive um prêmio Peabody, dezessete prêmios Emmy, doze prêmios Annie, três prêmios Genesis, sete prêmios International Monitor e quatro prêmios Environmental Media. Em 14 de janeiro de 2000, a série ganhou uma Estrela na Calçada da fama em Hollywood. Os Simpsons residem na cidade de Springfield. Homer trabalha como inspetor de segurança na usina nuclear local; Marge tenta manter a paz na família; Bart é um garoto danado de 10 anos de idade; Lisa, com 8 anos, é inteligente, toca saxofone e segue dieta vegetariana; e a bebê Maggie manifesta as emoções sugando desesperadamente a chupeta. Os espectadores se apaixonaram pelo rico e sarcástico universo dos personagens que habitam Springfield. 25 de setembro de 2001 marcou o lançamento de OS SIMPSONS em DVD. Todos os 13 episódios da primeira temporada foram lançados com comentários de áudio de Matt Groening, James L. Brooks, Al Jean, produtores, escritores e diretores de animação.Também estão incluídos scripts originais, primeiros sketches e clips em línguas estrangeiras. Os Simpsons, criado pelo cartunista Matt Groening, surgiu inicialmente em 1987 como uma série de curtas de 30 segundos produzidos por Groening para a série de televisão "The Tracey Ullman Show." A reação dos telespectadores foi tão positiva que OS SIMPSONS evoluiu para um programa, estreando como um especial de Natal de meia hora em 17 de dezembro de 1989, e depois como série regular em 14 de Janeiro de 1990. "A TV me respeita. Ela ri comigo e não de mim." - Homer Simpson.

PERSONAGENS:

Homer Simpson
Marge Simpson
Maggie Simpson
Bart Simpson
Lisa Simpson

FICHA TÉCNICA:

Criador: Matt Groening ("Futurama").
Produtores/Estúdio: James L. Brooks, Matt Groening, Al Jean, Ian Maxtone-Graham e Matt Selman/Gracie Films Production e 20th Century Fox Television.
Música tema: Instrumental.
Estréia: 17/12/1989 (EUA)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Interiores ou 400 Anos de Solidão

Contemplado no edital Petrobras Cultural, o média-metragem Interiores ou 400 Anos de Solidão, de Werner Salles Bagetti, constrói um ensaio sonoro-visual a partir de personagens reais em cidades distintas do Sertão de Alagoas. O critério de escolha dos personagens segue uma característica comum: vivem em situações extremas, marcadas por problemáticas seculares Da região (água, trabalho, educação, infância). O filme mergulha sob uma perspectiva estético/existencial, no cotidiano dessas pessoas, elaborando uma narrativa a partir de um acompanhamento de suas ações, juntamente com um plano sonoro crescente, produzido a partir de entrevistas com outros viventes da região; capturando suas falas, sentimentos, pensamentos, sonhos, silêncios, ruídos, lendas, músicas e orações.           



SERVIÇO
O quê: Lançamento do documentário em média-metragem Interiores ou 400 Anos de Solidão, de Werner Salles Bagetti (o filme entra em cartaz, com sessões diárias de 23 a 29 de março, sempre às 18h30)
Onde: No Cine Sesi (Centro Cultural Sesi, Av. dr Antônio Gouveia 113, Pajuçara)
Quando: Na próxima quinta-feira, 22 de março, a partir das 21h.
Entrada franca
Informações para a imprensa: 9904-7770

http://interioresdoc.com.br/?page_id=36

quarta-feira, 21 de março de 2012

DANCIN' DAYS

No meu aniversário, ganhei o Box da novela e estou assistindo. Vale muito a pena conferir.




Trama/ Personagens:
- Dancin’ Days conta a história de Júlia Matos (Sônia Braga). Acusada de atropelar e matar um guarda-noturno, a personagem é condenada a 22 anos de prisão. Depois de cumprir metade da pena, ela consegue sair em liberdade condicional. Júlia tenta de todas as formas levar uma vida normal e se livrar do estigma de ex-presidiária. O primeiro desafio da personagem é reconquistar o amor da filha, Marisa (Glória Pires). A menina foi criada pela irmã de Júlia, Yolanda Pratini (Joana Fomm), e o seu marido Horácio (José Lewgoy), um casal conhecido da alta sociedade. Mas Yolanda, com medo de perder a sobrinha, dificulta a aproximação entre mãe e filha. A rivalidade entre as duas irmãs é o tema central da trama.
- A novela conta também a história de Franklin (Cláudio Correa e Castro), um advogado de sucesso, casado com Celina (Beatriz Segall). Franklin é pai de Beto (Lauro Corona) e Cacá (Antonio Fagundes). Cacá é um diplomata decepcionado com a profissão, que seguiu essa carreira por influência da mãe. É por ele que Júlia Matos se apaixona na história. Beto, o irmão mais novo, é o namorado de Marisa.
- Para se aproximar da filha, Júlia chega a usar uma outra identidade. Marisa, porém, é uma adolescente mimada, com temperamento rebelde e não recebe bem a mãe. Influenciada por Yolanda, a menina decide se casar com Beto. Júlia fica inconformada com a decisão da filha e, no dia do casamento, aparece bêbada na igreja, provocando uma grande confusão. Como estava em liberdade condicional, ela é novamente presa.
- Algum tempo depois, Júlia volta à liberdade, dessa vez, decidida a mudar completamente sua vida. Ela se casa com Ubirajara (Ary Fontoura), um homem rico e apaixonado por ela. Os dois viajam para a Europa e, quando a personagem retorna ao Brasil, é uma outra pessoa. A cena que marca a sua mudança acontece no capítulo 79, quando é inaugurada a discoteca Frenetic Dancin’ Days, do personagem Hélio (Reginaldo Faria). Numa das seqüências mais marcantes da novela, a personagem dá um show de dança na pista , ao lado de Paulete, deixando todos impressionados.
- A transformação da protagonista marca uma nova fase na história. O autor Gilberto Braga alterou o destino de alguns personagens. Yolanda, por exemplo, se separa de Horácio. Celina, mãe de Beto e Cacá, morre. E Marisa passa a enfrentar uma série de dificuldades no seu casamento com Beto.
- Outro personagem marcante em Dancin’ Days era Alberico Santos (Mário Lago). Ele, um homem sofisticado, típico morador do bairro de Copacabana, sobrevive das lembranças do passado e conta com a ajuda da filha Carminha (Pepita Rodrigues) para solucionar seus problemas financeiros.
- Apenas no último capítulo, a personagem Júlia consegue se reconciliar com a filha e com o seu grande amor, Cacá. As irmãs Júlia e Yolanda conseguem se entender após uma briga gravada no salão do Hotel Copacabana Palace. Elas se agridem fisicamente, dando tapas e puxando cabelos. No final, se aproximam, se abraçam e, chorando, pedem perdão uma à outra. A briga é uma das cenas mais marcantes da novela.
- Segundo Joana Fomm, durante a gravação da cena, ela e Sônia Braga se envolveram tanto que chegaram a se emocionar de verdade. Até mesmo porque a gravação coincidiu com o final da novela e, logo depois, todo o elenco iria se separar.
- Merece destaque a trama da personagem Áurea (Yara Amaral), uma dona de casa que enlouquece depois da morte do marido Anibal (Ivan Cândido). Internada em uma clínica psiquiátrica, é tratada com choques elétricos. A personagem é salva no final da novela graças ao jovem médico Raul (Eduardo Tornaghi), cujas teses faziam a defesa da chamada antipsiquiatria.
- Com Dancin’ Days, o autor Gilberto Braga inaugurou o seu estilo dramatúrgico, marcado pela crônica de costumes e pela discussão dos valores da classe média e das elites urbanas.

Produção:
- Mário Monteiro assinou a cenografia de Dancin’ Days. Para a trama, ele criou três cenários fixos: a discoteca, o apartamento de Yolanda e a casa de Celina e Franklin. Foram montados também nos estúdios da emissora vários cômodos: 12 quartos, quatro banheiros, 14 salas de jantar, 16 salas de estar, uma loja de antiguidades e uma academia de ginástica. Algumas gravações externas foram realizadas na discoteca Hippopotamus, no Rio de Janeiro.
- Os figurinos de Dancin’ Days foram assinados por Marília Carneiro. Para a mudança da personagem Júlia Matos, a figurinista lançou as meias lurex com sandálias de salto alto fino e criou uma calça de jogging de cetim com listras laterais, para completar o visual que consagrou a novela.
- Marília Carneiro chegou a fazer uma visita ao presídio feminino Talavera Bruce, em Bangu (RJ), para pesquisar a composição do visual da personagem Júlia Matos no início da trama. A atriz Sônia Braga teve os dentes escurecidos para reproduzir a aparência de uma mulher que passou mais de dez anos na penitenciária.

Curiosidades:
- O tema da novela foi sugerido pela autora Janete Clair para Gilberto Braga, depois que ela assistiu a um Globo Repórter sobre a vida de mulheres numa penitenciária.
- Dancin’ Days também foi inspirada em Os Embalos de Sábado à Noite, com John Travolta. O filme levou seis milhões de espectadores ao cinema e impulsionou o sucesso das discotecas na década de 1970.
- A Frenetic Dancin’ Days foi inserida na história da novela por causa do sucesso da discoteca criada na Gávea, no Rio de Janeiro, pelo produtor musical e jornalista Nelson Motta.
- A personagem Yolanda Pratini seria interpretada, inicialmente, por Norma Bengell. Porém, a atriz se desentendeu com Daniel Filho, e Joana Fomm, que faria Neide, a empregada de Celina, assumiu o papel. A atriz Regina Vianna foi chamada, então, para interpretar a personagem Neide.
- A novela foi tema de uma reportagem da revista norte-americana Newsweek, em novembro de 1978. A matéria destacava a influência da novela sobre os hábitos de consumo dos telespectadores, como, por exemplo, o sucesso das meias coloridas de lurex, na época, entre as mulheres.
- A história de Dancin’ Days mobilizou milhares de telespectadores em todo o Brasil. A novela, além de lançar modismos, acabou promovendo alguns produtos como águas de colônia, sandálias de salto fino e a boneca Pepa, companheira da personagem Carminha. A fábrica chegou a vender 400 mil unidades do brinquedo.
- Em janeiro de 1979, a socialite carioca Leda Castro Neves construiu uma discoteca em sua mansão na Barra da Tijuca e distribuiu convites nos quais conclamava fãs de Dancin’ Days a comparecerem vestidas como os personagens da novela e realizassem o sonho de participar de uma das noites de festa e diversão que eram mostradas a cada capítulo. Dezenas de colunáveis atenderam ao chamado e passaram a freqüentar a mansão dos Castro Neves. As mulheres vestiam peles de onça, calças de cetim, lamês e tecidos prateados semelhantes aos que a protagonista Júlia usava na novela.
- Os telespectadores freqüentemente confundiam com a realidade o que viam nos capítulos de Dancin’ Days. Joana Fomm recebia quase diariamente insultos e até propostas indecorosas por telefone, por conta das maldades de sua personagem, Yolanda. Em entrevista na época, Gilberto Braga confessou que até sua cozinheira havia batido o telefone na cara da atriz. “Ela possui um arsenal de informações que teoricamente a impediriam de fazer essa confusão. Ela me vê escrever a novela, dá uma olhadinha no final do capítulo às escondidas, conversa comigo.”, contou o autor. “No entanto, quando tentei sugerir que a Joana não tinha nada a ver com a Yolanda, ela respondeu: ‘Sei que o senhor é que escreve aquilo tudo, não sou burra. Bati o telefone outro dia por causa da cara de nojenta que ela fez quando a Júlia entrou no camburão da polícia. A cara não foi o senhor que escreveu, era dela mesmo.’”
- O ator Lauro Corona fez a sua estréia nas novelas da TV Globo com Dancin' Days.
- A novela foi apresentada em cerca de 40 países, entre eles: Argélia, Bélgica, Bolívia, China, Colômbia, Espanha, França, Polônia, Portugal e Uruguai. Na Itália, chegou a alcançar um público médio de quatro milhões de espectadores por capítulo. Foi, em 1986, a primeira novela brasileira a ser exibida no México, país com tradição na produção de teledramaturgia. A história foi apresentada pela rede de TV Televisa, uma das principais exportadoras de telenovela para o mercado internacional.
- No Brasil, Dancin' Days foi reapresentada entre outubro e dezembro de 1982.

Trilha Sonora:
- A música de abertura da novela, Dancing Days (“Abra suas asas / Solte suas feras / Caia na gandaia / Entre nessa festa”), foi composta por Nelson Motta e Ruban. Interpretada pelas Frenéticas, a música fez o maior sucesso nas rádios e discotecas de todo o país.
- Os dramas vividos por Sônia Braga no papel de Júlia Matos eram pontuados pelas músicas Amanhã, de Guilherme Arantes, e Antes que Aconteça de Renato Teixeira, interpretada por Marília Barbosa. João e Maria, música de Chico Buarque cantada por Nara Leão, foi o tema do romance entre Marisa e Beto. Outro sucesso da novela foi Copacabana, de Dick Farney, que entoava o saudosismo do personagem Alberico Santos.
- A trilha sonora internacional de Dancin’ Days vendeu quase um milhão de cópias.



segunda-feira, 19 de março de 2012

Divina Renda em exposição na Casa do Patrimônio do Iphan em Alagoas

A partir do dia 16 de março a cidade de Maceió, em Alagoas, poderá ver de perto os detalhes da Renda Irlandesa, um dos mais belos bens culturais de Sergipe, protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. A mostra Divina Renda estará em exposição na Casa do Patrimônio do Iphan-AL, de 17 de março a 8 de abril, de terça a domingo, de 11h às 17h. A Casa do Patrimônio fica na Rua Sá e Albuquerque, 157, Jaraguá. A iniciativa é uma parceria das superintendências do Iphan de Alagoas e Sergipe e do Governo do Estado de Sergipe.
A mostra Divina Renda surgiu do desejo de ampliar o universo de divulgação sobre o processo de registro da Renda Irlandesa e, também, de revelar um saber fazer intrínseco à comunidade de Divina Pastora, em Sergipe, onde esse rico artesanato representa uma importante atividade geradora de renda, mas, sobretudo, um elemento constitutivo de diferenciação e identidade.
Desenvolvida em núcleos expositivos, mostra Divina Renda destaca uma imbricada rede de saberes, existente em torno da elaboração da renda irlandesa e desperta nos visitantes emoções diversas, como parte do processo educativo de reconhecimento identitário, culminando com possibilidades de fomento a políticas públicas de valorização do fazer da renda.

Serviço:Mostra Divina Renda
Data da abertura: 16 de março de 2012, às 19h
Visitação: de terça a domingo, de 11h às 17h
Local: Espaço de Exposições Temporárias da Casa do Patrimônio do Iphan-AL
Rua Sá e Albuquerque, 157 – Jaraguá – Maceió.
Informações: Iphan

Amar de amor, amor de amor - Lupe Cotrin




Em mim sonhas um mar, um horizonte murmuravas. Ao ver-me rio e vento sabes que ao ser apenas lago e fonte és imóvel, e sou teu movimento. E sonhei mais. Que em volta do teu rio fosse eu contorno e no teu vento eu fosse a flexível resposta de um navio saciando essa procura que te trouxe. E sonhei mais ainda, pois sonhei também que me sonhavas. Descobri que nem mesmo sonhaste o que te amei.
Na manhã do teu rio em que me apago ficaram, desse sonho onde vivi, as águas tristes que não foram lago.
Que o amor assim perdido se conforme e renasça na forma de outro amor, embora sem ser meu. Que se transforme num sorriso distante desta dor. Que as mãos, assim crispadas pelo sonho, repousem finalmente na verdade aceita e compreendida em que disponho os limites da estreita realidade. Que o rumo onde te amava e me perdia em tristeza tão grande não incorra sobrevivendo a altura em que eu vivia. Que poesia e não lágrimas escorra dos meus olhos. No sonho já desperto seja água a responder ao teu deserto.
Pouco sabes de mim. Hoje percebo que o segredo mais puro do que sou vos é desconhecido. É um arremedo apenas do que sinto o que vos dou. Se é receio vos largar o coração, talvéz eu tema. Sei o que é silêncio, a magia de compor a solidão uma outra vez. E sei que não convenço vossa distância em minha entrega. Perto ou longe, sois limite próprio. Surda é em vós essa paixão em que desperto um arrepio que vossa paz perturba. E intensa me contenho e mais não faço para atrair-vos ao céu que vos disfaço.
Tudo acabou, bem sei, mas não importa. Não é só de futuro que amor vive. O tempo em que se amou não mais se corta de nós; ainda sou muito do que tive. Nessa entrega também me pertenci. Tive dois corpos, duas almas, em braços mais longos envolvi o mundo. Nasci de nós, por isso levo-te em meus traços. Não pesa que a verdade foi momento, a presença tão breve e o desconexo desse sonho. Restou-me o sentimento em que de novo te surpreendo em mim. E o que foi belo, imóvel num reflexo me enriqueceu de haver amado assim.


QUARESMA: TEMPO DE CONFISSÃO...



Por: » Rodrigo Rios é diácono e jornalista
Foto: Beto Souza


Estamos vivenciando um tempo de preparação para a Páscoa, ao qual chamamos de Quaresma, por ser um retiro de quarenta dias em que a Igreja clama pela intensidade do jejum, da caridade e da oração. Neste tempo, as filas do confessionário aumentam, pois os fiéis desejam celebrar a paixão, morte e ressurreição reconciliados com Deus.

É interessante notar que em contrapartida, existem ainda inúmeras pessoas ditas “religiosas” não reconhecedoras do valor do sacramento da reconciliação e outras que tratam a confissão com profundo desdém. Provavelmente o leitor deve ter escutado ou mesmo ser adepto da ideia “confesso-me diretamente com Deus”. E então, as páginas do Evangelho se rasgam...

Sim, inúmeros textos das Sagradas Escrituras colocam o mandato de Jesus Cristo aos seus apóstolos para perdoarem os pecados, basta ler Jo 20, 22-23; Mt 9,6; Mt 18,18; 2 Cor 5,18. No tempo hodierno, seus sucessores (bispos) e colaboradores (padres) continuam essa missão. São fundamentos claros da vontade de Deus para nós.

Algumas vezes questionei alguns amigos que não acreditam na confissão. “Como vocês sabem que Deus vos perdoou?”. E eles respondiam apenas que “achavam” terem sido perdoados, pelo fato de Deus escutar a oração.

Refleti então no valor do sacramento. Na confissão realizada com um padre, não se acha que houve o perdão. Tem-se a certeza! E esta é uma experiência na qual quem a faz se sente tão agraciado que mal consegue expressar.

Atualmente, a Igreja Católica vive um novo despertar do Sacramento da Confissão, afirma Dom Gianfranco Girotti, oficial vaticano, ao falar neste mês em um seminário de especialização na confissão onde participaram em Roma mais de 700 sacerdotes de 84 países. Ainda, segundo o prelado, apesar de a sociedade experimentar um persistente enfraquecimento do sentido do pecado, “nos últimos tempos muitos fiéis vivem o sacramento dentro de uma nova dimensão”.

De fato, só quem se reconhece pecador é capaz de acreditar na força graça de Deus manifestada na misericórdia deste Sacramento.

Porém, analisar-se, exige maturidade, exige honestidade... por isso, quem se confessa, se reconcilia e cresce espiritualmente. Por que? Porque se encontra em Deus. 


http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=198497

Justiça à Poesia - Mulheres Memoráveis

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, acontecerá nesta segunda-feira (19.03.12), às 14h, no Hall do Pleno, a edição especial do Justiça à Poesia - Mulheres Memoráveis. Na ocasião ocorrerão homenagens a algumas mulheres ícones do meio artístico alagoano, como Anilda Leão (in memoriam), as escritoras Arriete Vilela, Enaura Quixabeira e Vera Romariz, a musicista Selma Brito e a Major da PM Valdenize Ferreira Lima.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Curta-metragem alagoano é selecionado para festival em Pernambuco

O curta-metragem Km58, um dos vencedores do Prêmio de Incentivo à Produção Audiovisual em Alagoas, foi selecionado para disputar o Troféu Calunga no Cine PE Festival do Audiovisual, na Mostra Competitiva de Curtas Metragens.

O evento será realizado no período de 26 de abril a 2 de maio, no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco (Cecon), em Olinda.

Para esta seleção foram inscritos 402 curtas-metragens de todo o país, onde 18 foram selecionados para a grade nobre do festival. Entre os filmes, quatro são de Pernambuco; quatro de São Paulo; três do Paraná; e os demais, com um representante, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Distrito Federal, de Mato Grosso, da Bahia, de Alagoas e da Paraíba.
O secretário de Estado da Cultura, Osvaldo Viégas, falou da felicidade e do reconhecimento que as produções alagoanas vêm conquistando. “Este momento mostra a qualidade da nossa produção, isso nos estimula a incentivar cada vez mais essas iniciativas. Este ano já lançamos um novo edital, realizamos as inscrições e até o final do ano estaremos com novas produções genuinamente alagoanas”, disse.

Nesta ficção alagoana, o protagonista dirige visivelmente tenso, numa rodovia semideserta, durante a madrugada. O filme fala pouco sobre ele, além do fato de que está enrascado. O desfecho é impactante e faz alusão a crimes de grande repercussão em Alagoas, absorvendo elementos de casos que até hoje permanecem sem solução. O roteiro tem como objetivo ativar a memória e a imaginação da audiência, a quem caberá escrever a história pregressa dos personagens, segundo suas referências.
Este curta-metragem foi dirigido pelo jornalista Rafhael Barbosa e patrocinado pelo Governo do Estado. Para ele, a iniciativa através de Prêmios incentivando o audiovisual no estado é fundamental. “Não existe produção sem fomento. O edital foi muito importante para que a gente comece a criar um cenário de audiovisual. Esses curtas são experimentos que servirão de estímulo para que outros profissionais possam investir”, explicou.

Agência Alagoas

Aniversário do Oswaldo Montenegro



Oswaldo Viveiros Montenegro nasceu em 15 de março de 1956, no Grajaú, Rio de Janeiro, filho mais velho de quatro irmãos. Sempre adorou ler e devorava coleções de Júlio Verne, Monteiro Lobato, Malba Tahan.

Aos 7 anos mudou-se para São João Del Rey, Minas Gerais, onde passou boa parte da infância. O espírito seresteiro de Minas influenciou toda a vida de Oswaldo. À noite, pulava a janela de casa para acompanhar amigos de seu pai em serestas noturnas para namoradas. Apaixonado por essa música tão viva e presente em seu dia a dia começou, aos 8 anos, a estudar violão com um desses seresteiros e compôs sua primeira canção, "Lenheiro", nome do rio que corta a cidade.

Aos 13 anos, já de volta ao Rio de Janeiro, venceu seu primeiro festival, com a "Canção Pra Ninar Irmã Pequena", música que mais tarde gravaria na trilha do vídeo "O Vale Encantado", com o título "Canção Pra Ninar Gente Pequena”. Em 1971, mudou-se com a família para Brasília, cidade que viria a adotar e que é tema constante em sua obra. Foi nessa cidade que Oswaldo conheceu e manteve estreito contato com a família Prista Tavares, da qual fazia parte o Maestro Otávio Maul. Essa foi uma influência decisiva. Através deles, entra em contato com a música erudita. Apaixonado, assiste a concertos, conhece obras, passa noites conversando, se interessa pela técnica e teoria musicais. Estuda muito sozinho, lendo sem parar obras que caem em suas mãos sobre Música, História da Música, grandes compositores.

Aos 14 anos, ainda em Brasília, começou a participar com freqüência dos festivais da cidade. Conhece, então, amigos e parceiros que o acompanhariam pela vida a fora como José Alexandre, Raimundo Marques, Ulysses Machado, Madalena Salles. Começa a fazer shows e a escrever arranjos para suas músicas.

Em 1972 teve a música "Automóvel" classificada no último Festival Internacional da Canção, da Globo. Apresenta-se, assim, pela primeira vez, num festival de vulto nacional. Chegou a cursar duas Faculdades, Comunicação e Música, ambas incompletas.

Em 1974, em parceira com o amigo de infância e parceiro Mongol, escreveu sua primeira peça musical, "João sem Nome", encenada em 1975, no Teatro Martins Pena, de Brasília. Em 1976, o espetáculo é reencenado, dirigido dessa vez por Hugo Rodas, coreógrafo uruguaio que viria a ter grande influência no trabalho de teatro de Oswaldo. Essa segunda montagem é apresentada no Rio de Janeiro, onde é assistida pelo renomado crítico de teatro Yan Mishalsky, que compara o grupo aos antigos menestréis que, na Idade Média, sobre uma carroça, corriam de cidade em cidade, apenas com seus instrumentos, suas vestes e sua voz, para contar e cantar histórias para platéias, nas praças. Mishalsky chama o grupo de
"Os Novos Menestréis", título que acompanharia Oswaldo por muito tempo.

Em 1975, assinou seu 1º contrato com uma gravadora - a Som Livre - lançando seu primeiro compacto, "Sem Mandamentos".

Em 1976, a convite de Hermínio Belo de Carvalho, Oswaldo fez, ao lado de Marlui Miranda e Vital Lima, o 1º show de artistas desconhecidos da série "Seis e Meia", no Rio de Janeiro. Volta, então, a morar no Rio, onde continua a fazer shows quase que ininterruptos. Ainda encantado com o teatro, continua a escrever espetáculos musicais, paralelamente aos shows, passando agora a dirigi-los.

Em 1977, lançou seu primeiro LP, "Trilhas", independente, a convite e produzido por Frank Justo Acker.

No ano seguinte, foi convidado a gravar pela WEA seu 1º LP por uma gravadora - "Poeta Maldito, Moleque Vadio".

"Trilhas foi um disco que não podemos considerar exatamente um lançamento. Tínhamos 20 anos e estávamos em temporada no Teatro da Aliança Francesa da Tijuca, no Rio. O Franque Justo Arquer, que é técnico de som, colocou aquele gravador enorme e deixou rodando. Ficamos a madrugada toda tocando; eu, Madá, Amadeu Salles na clarineta, Alan no baixo acústico e Mongol no violão. O disco não teve nem mixagem, foi gravado direto. Foram feitas 300 cópias, vendidas num musical que estávamos fazendo. Infelizmente não existe a master disso e o disco absolutamente se perdeu. O Trilhas tem o poema Metade que mais tarde regravei no disco Ao Vivo.”

"Fui então, convidado a gravar pela WEA. Gravei Poeta Maldito.... Moleque Vadio. Produzido por Gastão Dalamoni, foi um disco que fizemos com orquestra, um disco com um certa tendência conservadora e muito MPB. Eu escrevi 3 ou 4 arranjos e Luis Cláudio Ramos escreveu os outros. A música mais conhecida deste disco foi Léo e Bia, porém a música que as pessoas mais pedem é Sem puder sem medo, que depois entrou em algumas peças minhas, mas que nunca regravei. Minha canção favorita deste disco é Quem Havia de Dizer. Tem também Fruta Orvalhada que eu gosto muito e regravei depois no álbum Branco. Poeta foi um disco que quase não vendeu, o que fez com que a gravadora pensasse em me dispensar. Foi até interessante, porque eu tinha composto Bandolins e inscrito e classificado a música no festival da extinta TV TUPI. Eu estava com a moral tão baixa na gravadora, que ganhei só metade de um compacto, ficando o outro lado com um compositor chamado João Boa Morte, que também havia sido classificado no festival."

Em 1979, estourou no festival da extinta TV Tupi, com a música "Bandolins", em 3º lugar. No ano seguinte, ganhou o 1º lugar no festival da Globo MPB-80 com "Agonia", de Mongol. A partir daí, faz excursões nacionais, toca em grandes teatros, entra na mídia. O patamar de Oswaldo muda. Ainda em 80, lança seu 2º disco pela WEA - "Oswaldo Montenegro", alcançando, com este, seu primeiro disco de ouro.

"O disco que veio a seguir, Oswaldo Montenegro, incluiu Bandolins. O disco que a maioria das pessoas identificam como sendo a minha cara, talvez por ter feito bastante sucesso. Não sei se sinto isso. Tem uma citação do Mário Quintana onde ele fala que "as pessoas pensam que são fases e na verdade são faces". Então, essa minha fase deste disco, foi e é identificada como minha verdadeira face. Não sei se é assim. Este disco tem uma coisa interessante: um lirismo agressivo. Esse lirismo é um dos lados do meu trabalho que mais provoca rejeição, ou seja, junto com o sucesso, veio também a rejeição. Minhas canções favoritas deste disco são Bandolins e Por Brilho; essa a que eu mais gosto de todas as minhas músicas.
Compus Por Brilho no dia em que eu me separei da Madá. Tínhamos 20 anos, nos separamos e nos tornamos grandes amigos; isso já faz mais de 20 anos."

Em 1981, lança seu 3º LP pela WEA - "Asa de Luz". Sempre ansioso e insatisfeito, ele se inquieta com aquele repentino sucesso. Abandona tudo e vai para Brasília onde, acompanhado de Mongol, José Alexandre e Madalena Salles, monta um espetáculo musical - "Veja Você, Brasília" - com artistas da própria cidade. Foram mais de 500 testes, 60 artistas aprovados e 60 chamadas, por dia, na televisão. Trabalharam durante 6 meses.
Em abril de 82, estreou no teatro Villa-Lobos, com casa superlotada, durante toda a temporada de 15 dias.

Nesse elenco, estavam os ainda desconhecidos Cássia Eller, Zélia Duncan e Marcelo Saback.

"Asa de Luz, foi um disco que contou com o mesmo produtor, Liminha e praticamente os mesmos músicos. Porém a história, o espírito era outro, era tudo muito mais triste. Me dei muito mal com o ano de 1980. A explosão foi muito grande, a rejeição também. São duas coisas muito fáceis para se dar mal e eu tive as duas ao mesmo tempo. É difícil, você se confunde demais. Essa confusão me levou a largar tudo e ir morar numa aldeia com pescadores em Saquarema. Fiquei lá 4 meses e não queria voltar. Foi nesse lugar que compus as músicas do disco, numa espécie de procura religiosa. Tamanha insatisfação, me fez ter aquela humildade vaidosa de querer abandonar tudo, mas no fundo, fazia aquilo porque a rejeição me doía. Aí me chamaram para gravar esse disco, onde na capa meu cabelo aparece bem mais claro, e a cara preta, devido ao sol de Saquarema. Eu estava muito chato e talvez até um pouco desequilibrado nessa época. 16 anos depois mandei um recado, na verdade um beijo para o Liminha, pela compreensão comigo durante a gravação. Finalizado o Asa de Luz, eu me senti pior ainda, porque o disco não teve nem a rejeição, nem a explosão do anterior. Me senti deslocado e resolvi parar com tudo. Foi aí que o pessoal da gravadora me chamou, com toda a razão, para rompermos o contrato. E fizemos tudo amigavelmente. Apesar de tudo, esse é um disco que eu gosto muito, um dos meus favoritos."

Em 82, Oswaldo e seus companheiros foram para Belo Horizonte, onde realizaram o mesmo projeto - testes e montagem de um espetáculo, "Cristal", com artistas da cidade. O disco do espetáculo, com o mesmo título deste, foi gravado com o elenco e lançado, no ano seguinte, pela Polygram. Em Belo Horizonte, Oswaldo conheceu a bailarina Marjorie Quast e escreveu para o grupo de dança de sua escola - Núcleo Artístico de BH - o balé "A Dança dos Signos". Marjorie montou este espetáculo, que seria o primeiro dos muitos trabalhos que os dois realizariam juntos.

Depois seguiram para Curitiba, onde também fizeram testes para um outro espetáculo, mas a montagem, nessa cidade, não foi concretizada.

"Estava em Belo Horizonte com Madá, Mongol, José Alexandre, meu irmão Deto, Cláudia Gama, Raimundo Lima e Eduardo Costa, para montarmos o espetáculo teatral Cristal. Na época, corríamos cidade e montávamos em cada uma delas um espetáculo com elenco local. O elenco de BH era muito talentoso e lá, com o elenco do espetáculo, gravamos o disco Cristal. Entramos num estúdio com 60 pessoas e gravamos de primeira todas as músicas, com todos cantando ao mesmo tempo. É um disco com uma sonoridade extremamente suja."

"Ainda em 82, escrevi para o Núcleo Artístico de Belo Horizonte, A Dança dos Signos. Nessa época, Roberto Menescal era diretor artístico da Polygram e comprou os direitos do Cristal. Arquivou o projeto e lançou o disco A Dança dos Signos, com doze canções do ballet, cada uma sobre um signo do zodíaco."

De volta ao Rio, novos testes para nova montagem teatral, dessa vez a versão para musical do, até então balé, "A Dança dos Signos". "A Dança dos Signos" tornou-se o primeiro estouro em teatro de Oswaldo. A temporada prevista de um mês, no Rio de Janeiro, se estendeu ali por 3 anos ininterruptos e por 10 anos, entre excursões e novos elencos.

Assim, foi interrompido o projeto de montagem em cidades diferentes, com elenco de cada cidade.

"Passamos um ano viajando como nômades, e então voltamos para o Rio onde montamos o espetáculo teatral A Dança dos Signos, na verdade uma brincadeira sobre os signos, sem nenhuma intenção séria ou mística com o zodíaco. Foi uma loucura pois chegamos a mais de um milhão de espectadores no Rio, ficando 10 anos em cartaz pelo país. Uma surpresa agradável. Porém o disco foi muito mal. Na verdade, ele ficou muito aquém da peça e da brincadeira com o zodíaco, pois parece sério. Cristal foi lançado posteriormente."

"Léo e Bia", outra peça musical de sua autoria e direção, estreou em 1984, com Isabela Garcia e Tereza Seiblitz no elenco. Ainda em 84, faz a trilha e a direção musical do monólogo "Brincando em cima daquilo", com Marília Pêra. Faz, também, a trilha de "Casal Aberto, Ma Non Troppo",
com Herson Capri.

Em 1985, participa de outro Festival da TV Globo, com a música "O Condor", lançada em disco pela Polygram. No palco, um coro de 25 negros o acompanha. Ainda em 85, lança, pela Polygram, o disco mix "Drops de Hortelã", simultaneamente à temporada do show solo do mesmo nome.
O disco conta com a participação de Glória Pires.

"Em 1984 fiz Brincando em cima daquilo, com a Marília Pêra e gravamos o compacto homônimo, um disco com 4 músicas, onde aparece a primeira gravação de Lua e Flor, cantado pela própria Marília."

"Em 1985 participei do Festival dos Festivais com Condor. Fiz essa música para a peça homônima de Ana Maria Nunes, dirigida por Miguel Falabella, que não chegou a estrear, sobre Castro Alves. Por isso, no festival cantei com o coral de negros, uma alusão ao tema da peça."

Uma das maiores características de Oswaldo é o prazer de conhecer pessoas, andar sozinho por cidades, lugares desconhecidos, batendo papo com um, com outro, entrando num bar e conversando com as pessoas de uma mesa, levantando-se para ir à outra mesa, a outro bar, ver novas pessoas... Dessas andanças, muitas pessoas permaneceram em sua vida ou em sua carreira, como, por exemplo, Milton Guedes. Oswaldo perambulava por Brasília quando, entrando num bar, ouviu um sax maravilhoso. Esperou o show acabar e foi falar com o menino de 18 anos que acabara de ouvir:

- Como é seu nome?
- Milton.
- Prazer, Milton. Você gostaria de ir pro Rio trabalhar num espetáculo que estou montando?
- Claro, Oswaldo, adoraria! Quando isso?
- Amanhã de manhã.
- Amanhã de manhã!?! Mas já são 3 horas da manhã!
- Então! Dá tempo pra você ir em casa fazer a mala.

No dia seguinte, ambos desembarcaram no Rio e, do Aeroporto, seguiram direto pro ensaio de "Os Menestréis". Foi mais um espetáculo de sucesso. O disco do espetáculo, gravado com a participação do próprio elenco, foi lançado na mesma época.

"Em 1986, resolvi gravar o disco com a trilha de Os Menestréis, com essa coisa de colocar todo mundo no estúdio e sair gravando. É um disco mal gravado. Nesse disco gravei uma versão com outro nome, de uma música que depois ficaria bastante conhecida: Taxímetro."

Terminada a temporada de "Os Menestréis", no Rio, Oswaldo percorreu algumas cidades, fazendo testes para seu próximo espetáculo, "A Aldeia dos Ventos". De Brasília, trouxe Robespierre Simões; de Florianópolis, Deborah Blando; do Rio, Lui Coimbra. Milton Guedes, Vanessa Barum, Tereza Seiblitz, Adriana Maciel, que já haviam feito outros espetáculos e participaram dessa nova montagem. O espetáculo estreou em 87, tendo sido lançado, independentemente, o disco do mesmo nome. Este, porém, não teve a participação do elenco, mas sim de grandes nomes como: Ney Matogrosso, Gonzaguinha, Sivuca, Zizi Possi, Glória Pires, Lucinha Lins. Excursionando pelo Brasil durante o ano de 88, em algumas apresentações contou com as participações de Ana Botafogo e Glória Pires.

"Em 1987 fiz Aldeia dos Ventos, um disco também trilha de peça. Nele realizei um sonho. Sempre quis separar minha vida de cantor com a de compositor, e nesse disco consegui. Cantei apenas uma música. Cantaram Zizi Possi, Ney Matogrosso, Gonzaguinha, Lucinha Lins, José Alexandre, Glória Pires, entre outros. Gosto muito desse disco."

Em 1989, Oswaldo escreveu, junto com seu parceiro Raimundo Costa, o musical "Mayã, uma idéia de paz". O espetáculo foi montado, no mesmo ano, apenas com dança, com a narração em off. Como protagonista, a ainda bailarina Tereza Seiblitz. No elenco, estavam Vanessa Barum, Deto Montenegro, o bailarino Sebastian, hoje conhecido como Sebastian da C&A, e outros. Neste espetáculo, Oswaldo ficou apenas na direção.

Ainda em 89, lançou o CD "Oswaldo Montenegro ao vivo", pela Som Livre, com a música "Lua e Flor", canção-tema do personagem principal da novela "O Salvador da Pátria", da Globo. As viagens com shows continuavam.

"Em 1989 gravei o Ao Vivo pela Som Livre, o mais vendido até hoje. Nesse disco, além de músicas conhecidas como Léo e Bia, Intuição e Condor, gravei músicas de discos de peças; como O Chato e A Dama do Sucesso (Menestréis), Sempre não é todo dia (Aldeia dos Ventos) e 2 até então inéditas: Mistérios e Só, essa uma das minhas prediletas."

Em 90, é convidado para montar e dirigir uma oficina-montagem de musical com artistas paulistas. Leva seu irmão, Deto, para ser seu assistente e lá, através de testes, selecionam os artistas que participaram da oficina, que resultou em seu primeiro estouro teatral em SP, o espetáculo "Noturno". Foi nesse período que conheceu Tânia Maya, Marcelo Palma, Estela Cassilate, Itamar Lembo, artistas que viriam a acompanhá-lo em quase todas as montagens que fez naquela cidade. Do Rio, para esta oficina, ainda contou com a presença de Marcelo Várzea e outros artistas. O estouro de "Noturno" foi tamanho, que Oswaldo permaneceu por 3 anos em SP, onde montou vários espetáculos. O primeiro foi uma 2ª versão de "Mayã, Uma Idéia de Paz", desta vez tendo como protagonista a atriz Carolina Casting, ainda uma desconhecida bailarina, recém chegada de Florianópolis. A narração do espetáculo foi de Jofre Soares, que teve, então, uma de suas últimas atuações em teatro.

Seguiram-se outras montagens, como "Crônica de Paixões e Gargalhadas", a versão paulista de "A Dança dos Signos", entre muitas outras. Mesmo nessa fase de intenso trabalho com montagens, em SP, Oswaldo continua vindo ao Rio para gravar seus CDs de carreira. Ainda em 90, lança, pela Som Livre, o LP "Oswaldo Montenegro", cuja faixa "Travessuras", faz parte da trilha sonora da novela Gente Fina, da TV Globo.
Nesse mesmo ano ainda, lança, pela Globo Vídeo, o vídeo "Oswaldo Montenegro e banda", gravado na Sala Villa Lobos, do Teatro Nacional de Brasília.

"O Álbum Branco, que também leva só meu nome,é outro disco que eu gosto muito e que não vendeu nada. É o Asa de Luz da década de 90. Adoro, mas não rolou. Nesse disco, além de novas composições, aparecem regravações; inclusive Bandolins e Agonia. Pode parecer que foi imposição da gravadora, pois essas músicas não saíram no Ao Vivo, mas não foi. No período em que estive na Som Livre, eu tinha total liberdade, aí resolvi regravá-las. Bandolins porque eu queria uma versão com a gaita do Milton Guedes, e Agonia porque eu não gosto da primeira versão. A versão de 80 é extremamente performática dentro do contexto. Foi composta por Mongol para um festival, o que me fez pensar que deveria interpretá-la e gravá-la como se estivesse atuando em uma peça. Realmente achei que deveria transmitir toda aquela angústia da letra, que deveria caricaturar a agonia e exagerei. Então no Álbum Branco gravei de novo, do jeito que eu achei que deveria ser, uma canção lenta e suave."

Em 91, lança o disco "Vida de Artista", pela Som Livre.

Em 92, lança o disco "Mulungo", pela Som Livre, com a participação de amigos seus, como José Alexandre, Vanessa Barum, Tânia Maya, Eduardo Costa.

"Lancei em 1991, o Vida de Artista. Na época eu estava me mudando para São Paulo. Foi um ano muito louco, pois o disco teve boa receptividade e boa vendagem. Tivemos mais de 200 apresentações do show do disco, e eu estava montando o espetáculo musical Noturno."

"Em 1992, Mulungo. Foi o primeiro disco em que cantam pessoas de São Paulo, que eu conheci quando comecei a montar espetáculos nessa cidade. Mulungo significa companheiro, por isso tem tantos amigos. Nesse ano, estávamos montando Mayã e a Dança dos Signos e resolvi incluir canções das peças no disco. Têm também uma versão de Lady Jane."

Em 93, Oswaldo começou a sentir necessidade de aprimorar sua execução no violão.Convidou, então, seu amigo e companheiro de palco Sérgio Chiavazzoli, para passar uma temporada em sua casa, em SP, para lhe dar aulas e estudarem juntos. Sérgio aceita e, para tornarem mais interessantes as horas de estudo, resolvem se centrar nas músicas de Chico Buarque. Desse período de estudo, resultaram o show e o CD "Seu Francisco", com produção e direção de Hermínio Bello de Carvalho. Nesse mesmo ano, Oswaldo volta a fixar residência no Rio, embora continue sempre indo a SP, prestar apoio e orientação a seu irmão Deto, que assumiu integralmente a oficina de montagens. As tournées e os CDs continuam.

“Na época do Mulungo eu estava compondo muito para diversas peças por todo o país e ninguém ficava sabendo Para as pessoas, eu tinha “sumido”“. Vivi uma crise. Cheguei a me questionar como compositor. Foi aí que resolvi parar tudo e fiquei 4 meses tocando violão com Sérgio Chiavazolli, durante 8 horas por dia, enfurnado na minha casa em SP. Nessa fase de estudo brincávamos de emendar temas instrumentais de Villa-Lobos, de Pixinguinha, à músicas de Chico Buarque. Foi assim que nasceu o show Seu Francisco, que depois resultou no disco ao vivo homônimo, produzido pelo diretor do show, Hermínio Belo de Carvalho, lançado em 93 pela Polygram. É um disco que eu gosto muito e que me trouxe uma idéia nova como intérprete: mais qualidade e menos explosão. Seu Francisco traz uma atitude de "vou aprender com os mestres, vou tocar isso direito". Tivemos uma ótima resposta do público com esse trabalho."

Em 94, Oswaldo lança seu primeiro livro - "O Vale Encantado" - um livro infantil, no mesmo ano indicado pelo MEC, através da Universidade de Brasília, para ser adotado nas escolas de 1º grau. Nesse mesmo ano, realizou sua 1ª excursão fora do país, fazendo shows em Boston, New Jersey, Monte Vernon, Conecticut e Miami.

Em 95, lança, pela Albatroz, o CD "Aos Filhos dos Hippies", que conta com a participação de Carlos Vereza e Geraldo Azevedo.

"Em 1995, gravei Aos Filhos dos Hippies, o disco menos hippie da minha vida. Foi lançado pelo selo Albatroz. Tenho muito amor a esse disco, que se tornou restrito àquele que a gente chama de público fiel. Um disco todo com composições inéditas, algumas parcerias. Conta, na faixa Cine Atlântida com a participação de Geraldo Azevedo."

Inovando sempre, no final de 96, realizou em Curitiba, BH, Juiz de Fora e Brasília um espetáculo diferente: convidou 1 coral de cada uma dessas cidades para participar de seu espetáculo.

Em 97, preso no Aeroporto Santos de Dumont, RJ, por falta de teto, Oswaldo reencontra Roberto Menescal. Durante a conversa de horas dos dois, surge o tema letras de músicas da MPB que são verdadeiros poemas. Daí vem à idéia do CD "Letras Brasileiras". Menescal produz o CD, que é lançado no mesmo ano, e participa da tournée do show. Ainda em 97 grava e lança o vídeo "O Vale Encantado", que conta no elenco com a participação de Zico, Roberto Menescal, Fafy Siqueira, Luísa Parente, Tânia Maya e Madalena Salles. É lançado, também, o CD do mesmo nome. Lança, também, nesse mesmo ano, o CD do espetáculo "Noturno", pela Tai Consultoria em Talentos Humanos e Qualidade.

"Ainda em 95 me dediquei para realizar 3 projetos que foram lançados em 97: Continuei o Vale Encantando, agora com CD e home-vídeo, este último co-produzido pela Universidade Gama Filho e a Soft Cine-Vídeo; Noturno, trilha do espetáculo, que veio junto com a remontagem do mesmo em outubro de 97; e Letras Brasileiras, CD e show com composições de alguns dos grandes compositores/poetas desse país, e dirigido por Roberto Menescal. O Letras Brasileiras surgiu de um papo meu com o Menescal no aeroporto. Ele é todo focado para a letra, um disco musicalmente simples, com voz, violão e um convidado por faixa. Para esse projeto, compus apenas a música que dá nome ao disco: Letras Brasileiras, em gratidão ao Menescal, onde falo da solidão dos poetas. O show é uma varanda, muito papo e muita naturalidade. É aquilo de se reunir informalmente com um amigo para tocar músicas de que se gosta. Pretendemos fazer o Letras 2, pois está sendo muito legal, esse primeiro."

"Pela primeira vez na minha vida, consegui lidar com as 3 áreas que eu gosto, ao mesmo tempo: cantar com alguém me dirigindo (Menescal), dirigir com pessoas cantando (O Vale Encantado) e fazer uma montagem de peça junto com o disco (Noturno), ou seja; cantar, compor e dirigir.
Em 1997 me senti parindo, pela primeira vez, as coisas do jeito que eu queria."

Em 98 Oswaldo recebe o título de cidadão honorário de Brasília, concedido pela Câmara Legislativa do DF. Nesse mesmo ano, Oswaldo volta às montagens teatrais. Monta, então, com o elenco que até hoje considera o mais fácil, divertido e agradável de se trabalhar, "Léo e Bia", numa versão mais madura e coerente com a postura que ele tem, atualmente, daquela história. Grava o CD homônimo, também com Menescal. Monta, ainda, com elenco de Brasília, a 2ª versão de "A Aldeia dos Ventos".

"Em 1998, estreamos em SP a peça O Vale Encantado e uma 2ª versão da peça até então encenada apenas no Rio em 84, Léo e Bia, que levamos para várias cidades do Brasil . Na verdade, escrevi Léo e Bia de novo e com um grupo de jovens atores, além de Madalena, me "internei" em Petrópolis durante o verão para os ensaios. Nesse período senti que estava voltando definitivamente para os musicais, já que fiquei em São Paulo durante alguns anos, apenas montando e dirigindo os espetáculos, sem atuar, cantar ou narrar. Ainda em 98, fiz algumas mudanças no roteiro de Aldeia dos Ventos e parti para Brasília, a convite do Teatro Cenário, com Madalena e com os atores para ensaiarmos e encenarmos essa nova montagem de Aldeia, só na capital federal. Foi muito gratificante esse período, já que fiquei um bom tempo em Brasília, cidade que gosto muito, e pela leveza que envolve esse musical. Aldeia é um musical que passeia por todas as emoções, conforme a princesa vai passando pelos países (dos Apressados, dos Tristes, dos Bufões, dos Vaidosos, etc.). Vem carregado de muita suavidade, não agredindo nem quem assiste, nem quem atua. Nesse sentido é minha peça mais bonita."

Em 99, apresenta 3 espetáculos, no Teatro de Arena, no Rio de Janeiro: "Léo e Bia", "A Dança dos Signos" e o inédito "A Lista", lançando, nessa temporada, os CDs dos 2 últimos.

"No começo de 1999, fomos convidados pelo Café Teatro Arena, no Rio de Janeiro, para encenarmos um musical diferente por mês, até agosto. Um grande desafio, já que não montávamos nada no Rio a muito tempo e não sabíamos qual seria a reação do público depois de tantos anos. Escolhemos Léo e Bia, A Dança dos Signos e o novo musical A Lista. Escrevi A Lista, seguindo a mesma estrutura narrativa de sempre, ou seja, a narração constante através da idéia do menestrel, do trovador, que fica do lado da encenação cantando e comentando a história, porém no palco, mudei um pouco a linguagem habitual, usando cortes de cena muito rápidos, chegando a imitar o cinema. É a história de 3 modelos que vão para o Rio, uma vinda de Paris, outra de Londres e outra de Campinas, tentar a carreira. Acabam se envolvendo basicamente com os outros 3 personagens, sendo um traficante, sem que elas saibam."

"De todas as minhas peças, é a que mais tem aventura e até um certo clima policial, sem ir muito fundo nisso. A essência do musical é "que não existe volta", ou seja, você escolhe um caminho e depois que entra nele, não tem mais volta."

"O que me motivou a permanecer no Rio por esse tempo foram basicamente duas coisas: ficar mais perto do meu filho e estar na cidade onde Madalena reside, e a alegria de poder montar vários musicais quase que simultaneamente, podendo transformá-los em outros produtos (CDs, vídeos, livros, etc.). A trilha do musical A Lista, quase toda inédita, foi lançada em CD e pretendo escrever a adaptação do roteiro para o cinema."

No carnaval de 2000, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente do Gama prestou-lhe uma expressiva homenagem, fazendo, de sua vida artística, o enredo da escola. Nesse mesmo ano, comemora os 20 anos de carreira com o show "Vinte Anos de Histórias" e com os CDs "Letras Brasileiras ao Vivo" e "Escondido no Tempo". Dedica-se, também, à série "Só Pra Colecionadores", de CDs independentes, de tiragem limitadíssima, vendidos apenas via internet.

Em 2001 monta em SP a peça “A Lista”, cujo CD se torna um cult, tendo sua música tema virado uma espécie de mania na Internet e outros veículos.

Em 2002 lança o CD “Estrada Nova”, cuja turnê bate recorde de público.

Em 2003 regrava a trilha de “A Aldeia dos Ventos” e começa sua remontagem.

Em 2004 lança o CD “Letras Brasileiras 2”, em parceria com Roberto Menescal, além do programa “Tipos”, no Canal Brasil, no qual retrata com músicas, textos e desenho animado, tipos humanos como a bailarina gorda, o chato, etc...

Em 2005 lança CD e DVD “Oswaldo Montenegro - 25 Anos de História”, que alcançam, ambos, a marca das 100 mil cópias.

Em 2006 lança, no Canal Brasil, em parceira com Roberto Menescal, o programa “Letras Brasileiras”, apresentado por ambos.

Em setembro lança de 2006 o CD “A Partir de Agora”, com músicas inéditas e as participações de Zé Ramalho e Alceu Valença.


E por aí vai.

Já tem na cabeça novas idéias, com certeza...

Intuição - Oswaldo Montenegro



Canta uma canção bonita falando da vida em ré maior
Canta uma canção daquelas de filosofia e mundo bem melhor
Canta uma canção que agüente essa paulada e a gente bate o pé no chão
Canta uma canção daquelas, pula da janela e bate o pé no chão
Sem o compromisso estreito de falar perfeito, coerente ou não
Sem o verso estilizado, o verso emocionado, bate o pé no chão
Canta o que não silencia é onde principia a intuição
E nasce uma canção rimada da voz arrancada ao nosso coração
Como sem licença o sol rompe a barra da noite sem pedir perdão,
Hoje quem não cantaria grita a poesia e bate o pé no chão

Não há segredo nenhum - Oswaldo Montenegro



Apaga a dor, já passou
Abre a janela feliz
Olha que o vento soprou
Bem mais cor do que você quis
Canta o que nunca cantou
Foi teu irmão que pediu
Tudo o que sempre sonhou
Tava perto e você não viu
A vida é bola de gás
Segura a corda com a mão
Tudo o que o vento não traz
Ta guardado em seu coração
A estrada sempre tem luz
O amor tem sempre razão
Quando a alegria conduz
Não importa qual direção
Lembra da flauta que ouviu
Vai te ensinar a dançar
Pensa que quem já partiu
Ta voando e vai te encontrar
Todo o milagre é comum
Todo poder é fugaz
Não há segredo nenhum
E o teu sonho, a mão do amor traz

Canção do Gigante - Oswaldo Montenegro




Grande, big, enorme, gigante, sem jeito
Mal feito, gigante sem tato, mulato
Gigante, enorme, mal feito, bonzinho, bacana
Sem tato nem jeito
Meu riso é grande, não cabe em mim
Minhas mãos são grandes, te aplaudem assim
Meu peito é grande, ninguém quer brincar
Meus pés são grandes, no mesmo lugar
Mesmo lugar
Meu olho é grande, meu mundo é maior
Meu braço é grande, já me dei um nó
Meu sonho é grande, não quero acordar
Meu riso é grande, ninguém quer brincar
Quem quer brincar?
Quem é que nunca sentiu que o mundo é um gigante
E achou que era fraco, e se achou
Quase um rato e que o gato
Era o mundo, um gigante malvado e
Quem é que coitado n'olhava pra cima
Esperando a porrada, o cacete, o esporro,
A mijada, a espora, o facão?
Quem é que nunca arregou, nunca teve paúra
E será que alguém jura que nunca tremeu de pavor,
De terror, de vertigem, de altura (oh! que tava no chão!),
E quem é o machão que não teve surpresa de ser humilhado igual feio na festa e menino mijão?
Presta atenção!
Quem não perdeu a atenção dos seus pais,
Quem não foi encarnado depois de uma queda
Ou porque era vesgo ou porque era torto
Ou se o avô já tá morto, se sente sozinho
Ou porque é menorzinho ou porque é bobalhão,
É pereba ou otário?
E olha presta atenção!
Quem não levou uma surra, perdeu um horário,
Quem é que jamais teve um sonho esmagado
Ou sofreu uma ofensa do melhor amigo e quem
É que concorda comigo esse mundo é um gigante
E a gente é anão?
A gente é anão!
Presta atenção.
Presta atenção.
Mundo gigante, doido mundo
Quem não sente medo quando venta?

Solidão coletiva - Oswaldo Montenegro



Todo mundo é sozinho
Ninguém cantando esta só
O paradoxo é o caminho
Pra se livrar desse nó
Disse o bluesman: Que se foda!
Disse o xamã: Levitar!
Disse o bebum: Mundo roda
Sem se sair do lugar
Se essa paixão é doença
Pra quê que eu quero curar?
Quem sente forte dispensa
Não adianta pensar
Cada mulher é irmã
Da que não sabe onde está
Gente que é doida ta sã
Se conseguir se alegrar
A obstinência é uma tara
A encruzilhada é uma dor
Toda alegria é tão rara
Que se parece com amor
Nem tudo é fogo, se arde
Nem todo ouro reluz
Nem todo adeus chega tarde
Nem toda estrada conduz
Cada pessoa à sua frente
Sempre é igual a você
Seja soldado ou tenente
Seja escrava ou poder
Tem sempre a hora do medo
Tem sempre a hora da paz
Vou te contar um segredo
Nunca o amor é demais

Segunda Via - Oswaldo Montenegro





Vê se presta a atenção
Acabou, não dá mais
Não é falta de amor
E pra mim tanto faz
A razão do poema
Ou sua forma fugaz
Como na arquitetura
Não importa o espaço
entre as linhas e mais
A paixão só interessa se traz alegria
E a nossa não traz
Hoje eu tenho certeza
que o fim não se adia
e que não se re faz
O que já foi magia
hoje é segunda via dos originais
Vê se presta atenção
todo barco no cais
Não cumpriu seu destino
de ser navegante
E a sede é voraz
No seu próximo amor
não procure ter paz
Isso é coisa de amigo
e o tédio é o perigo
que o tempo é que traz
Guarda o nosso segredo
Eu garanto que o medo
é uma droga eficaz
Nosso caso é cinema
Que o ranço, que pena
tirou de cartaz
Sou escravo do novo
e o futuro que chega
é o meu capataz

sábado, 10 de março de 2012

A dor que dói mais - Martha Medeiros

 Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Sauda...de do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Anilda Leão: intensa e autêntica - Arriete Vilela

Sempre que se fala em Anilda Leão, os bons adjetivos são pródigos: espontânea, irreverente, bem-humorada, generosa, leal, divertida, talentosa, autêntica, intensa – e muitos outros, associados naturalmente às várias facetas da sua personalidade ou às circunstâncias da sua vida: mulher, esposa, mãe, amiga, intelectual, militante política, escritora, atriz e cantora.

De todos os adjetivos atribuídos a ela, gosto especialmente de “autêntica” e “intensa”, pois são valores intrínsecos, qualidades particularmente marcantes, características de quem tem atitude, coragem; de quem sabe amar, doar-se, mergulhar nos sentimentos e nas emoções.

Conheço poucas pessoas realmente autênticas e intensas, porque há sempre o receio da opinião alheia. Anilda parecia não se importar com isso. Havia nela uma ética interior que a fazia ser legítima, íntegra, sem dissimulações. Nunca se mostrou de modo idealizado, mas humanamente verdadeira, cujo parâmetro era o respeito ao outro e a alegria de viver.

Na Academia Alagoana de Letras, Anilda Leão era uma presença sempre divertida. Solícita, cantava e recitava com desenvoltura, numa reunião mensal ou em solenidades de posse.

Anilda representava no palco, mas não na vida. Viveu intensamente os muitos desdobramentos do Amor; expressou-se artisticamente de várias formas; passou à margem de preconceitos, de mesquinharias; superou alguns limites da mentalidade provinciana; realizou sonhos; sublimou dores, frustrações – enfim: transcendeu, transcendeu-se.

Doutras vezes, escrevi sobre Anilda. Entrevistei-a para suplementos literários. Antes de fazer este texto, fui aos álbuns, aos recortes. E, à medida que revia as fotos ou relia os registros, entretive-me de tal forma com o passado que se me tornou custosa a escrita. Anilda parecia estar ao lado, identificando pessoas queridas, revivendo momentos inesquecíveis, rindo de si mesma em ocasiões engraçadas.

Foi um privilégio ter convivido com ela, a quem sempre admirei.

Anilda Leão, estrela múltipla, teve, em vida, múltiplos brilhos.

Parodiando Nighthawks

Hooper na versão original


Nighthawks (pt: "Aves da Noite", "Gaviões da Noite" ou "Falcões da Noite") é uma pintura de 1942 de Edward Hopper que retrata pessoas sentadas num restaurante do centro da cidade de noite. É considerada a obra mais famosa de Hopper, assim como uma das mais reconhecidas da arte americana. Está atualmente na coleção do Art Institute of Chicago. Nighthawks tem sido amplamente referenciado e parodiado na cultura popular. Versões têm aparecido em cartazes, camisetas e cartões de visita, bem como nas histórias em quadrinhos e anúncios publicitários.

Hooper na versão Lego




Hooper na versão Homer Simpson




Hooper na versão CSI






Hooper na versão moderninha





Hooper na versão MacDonalds



Hooper na versão heroina estilizada




Hooper na versão anarquia




Escolha sua versão!!!!!!!!!

Edward Hooper



Edward Hooper nasceu em 22 de julho de 1882, em Nyack, Nova York, onde estudou ilustração numa escola de arte comercial de 1899 a 1900. Por volta de 1901 passou para a pintura, freqüentando a New York School of Art até 1906, sob a orientação de Robert Henri.


Hooper fez três viagens à Europa, entre 1906 e 1910, mas não foi afetado pelo cubismo francês ou espanhol. O que influenciou Hooper foram os grandes pintores realistas europeus, Diego Velázquez, Francisco de Goya, Honoré Daumier e Edouard Manet, trabalhos esses que lhe foram apresentados inicialmente pelos seus professores em New York.


Suas primeiras pinturas, como Le Pavillon de Flore (1909, Whitney Museum of American Art, Nova York), foram executadas no estilo realista, e exibiam algumas das características básicas, que ele conservaria ao longo de sua carreira: estilo composto em formas geométricas simples e amplas, conjunto de cores sem relevo, e o uso de cenários com elementos arquitetônicos em expressivos elementos verticais, horizontais e diagonais.


Embora um dos quadros de Hooper tenha sido exibido no famoso Armory Show de 1913, em Nova York, seu trabalho despertava pouco interesse, e ele foi obrigado a trabalhar principalmente como ilustrador comercial durante a década seguinte. Em 1925 pintou House by the Railroad (Museum of Modern Art, Nova York), um marco na Arte Americana, e o advento da maturidade do seu estilo. A ênfase em contornos e ângulos ásperos e o rígido uso de luz e sombra eram comuns em suas obras anteriores, mas o tom - que era o tema principal da pintura - era novo: indicava uma atmosfera de isolamento universal e, por pouco, uma soturna solidão.



Hopper manteve o seu estilo, que refinou e aprimorou pelo resto da vida, mas nunca abandonou seus princípios básicos. A maior parte de suas telas retrata cenas em Nova York ou Nova Inglaterra, tanto rurais quanto urbanas, todas com um cunho despojado, desataviado - ruas desertas, teatros meio vazios, postos de gazolina, linhas férreas, casas de cômodos. Um de seus trabalhos mais conhecidos, Nightawks (1942, Art Institute, de Chicago) retrata um café-24-horas, com uns poucos fregueses taciturnos, iluminados pelo clarão impiedoso de uma luz elétrica.
Embora o trabalho de Hooper se situe fora da corrente principal da abstração em moda no meio do século 20, seu estilo esquemático e simplificado foi uma das influências nas futuras apresentações e na Pop Art.
Morreu em maio de 1967, em Nova York.



fonte: http://www.sabercultural.com/template/pintores/HooperEdward.html