quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Verbo Livre - Fernanda Guimarães



Dona de uma voz como poucas e de uma simpatia absolutamente cativante, Fernanda é com certeza uma das grandes interpretes e compositoras da música alagoana, esse cd repleto de hits instantâneos é prova disso, destaque para Farol da Noite (a perfeita combinação de palavras certas com a voz certa, é sobrenaturalmente linda). Fernanda Guimarães merece ser ouvida.


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

SÓ LHE DÃO - André Luiz





SÓ LHE DÃO (SOLIDÃO)


              INSCONSCIENTEMENTE COMO UM RAIO

                                                                                                              E UM DESEJO.

              ELOQUENTE COMO UM VERÃO

                                                                                                              FULGAZ.

              ESTAR SÓ...

  

              A PERCEBER QUE O COMPANHEIRO

              É O SEMBLANTE NO ESPELHO,

              ENTRE MULTIDÕES,

              NO TRÁFEGO, VAZIO, SOZINHO.

  

              CLARA EMANCIPAÇÃO,

              ANSEIO LOUCO PELA PRISÃO A OUTRO SER,

              QUERER, FALAR, EXPRESSAR.

  

              SOLUÇOS CALADOS, EMBALSAMADOS PELO DESTINO

              DISFARÇADAMENTE ALEGRIA EXPOSTA..



              SÓ A SOLIDÃO

                ... É QUERER AMAR.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal - Adalberto Raimundo


Natal
tristeza em forma de luzes
brilhantes
coloridas
pequenas estrelas
que  lembram
a alegria que deveria sentir
mas não sinto.
Eu sinto
meu peito dilacerado
meus olhos marejados
e essa imensa
vontade
de que essa noite
de presentes
e
ausentes
se torne
logo
passado.


Carta a Diego - Frida Kahlo


Minha noite é como um grande coração batendo. São três e meia da madrugada. Minha noite é sem lua. Minha noite tem olhos grandes que olham fixamente uma luz cinzenta filtrar-se pelas janelas. Minha noite chora e o travesseiro fica úmido e frio. Minha noite é longa, muito longa, e parece estender-se a um fim incerto. Minha noite me precipita na ausência sua. Eu o procuro, procuro seu corpo imenso ao meu lado, sua respiração, seu cheiro. Minha noite me responde: vazio; minha noite me dá frio e solidão. Procuro um ponto de contato: a sua pele. Onde você está? Onde você está? Viro-me para todos os lados, o travesseiro úmido, meu rosto se gruda nele, meus cabelos molhados contra as minhas têmporas. Não é possível que você não esteja aqui. Minha cabeça vaga errante, meus pensamentos vão, vêm e se esfacelam. Meu corpo não pode compreender. Meu corpo quer você. Meu corpo quer esquecer-se por um momento no seu calor, meu corpo pede algumas horas de serenidade. Minha noite é um coração de estopa. Minha noite sabe que eu gostaria de olhar você, acompanhar com as minhas mãos cada curva do seu corpo, reconhecer seu rosto e acariciá-lo. Minha noite me sufoca com a falta de você. Minha noite palpita de amor, amor que eu tento represar mas que palpita na penumbra, em cada fibra minha. Minha noite quer chamar você, mas não tem voz. Mesmo assim quer chamá-lo e encontrá-lo e se aconchegar a você por um momento e esquecer esse tempo que martiriza. Meu corpo não pode compreender. Ele tem tanta necessidade de você quanto eu, talvez ele e eu, afinal formemos um só. Meu corpo tem necessidade de você, muitas vezes você quase me curou. Minha noite se esvazia até não sentir mais a carne, e o sentimento fica mais forte, mais agudo, despido da substância material. Minha noite se incendeia de amor. São quatro e meia da madrugada. Minha noite se esgota. Ela sabe muito bem que você me faz falta e toda a escuridão não basta para esconder essa evidência. Essa evidência brilha como uma lâmina no escuro. Minha noite quer ter asas para voar até onde você está, envolvê-lo no seu sono e trazê-lo até onde estou. Em seu sono você me sentiria perto e seus braços me enlaçariam sem você despertar. Minha noite não traz conselhos. Minha noite pensa em você, sonha acordada. Minha noite se entristece e se desencaminha. Minha noite acentua a minha solidão, todas as minhas solidões. O silêncio ouve apenas minhas vozes interiores. Minha noite é longa, muito longa. Minha noite teme que o dia nunca mais apareça, porém ao mesmo tempo minha noite teme seu aparecimento, porque o dia é um fio artificial em que cada hora conta em dobro e, sem você, já não é vivida de verdade. Minha noite pergunta a si mesma se meu dia não se parece com a minha noite. Isso explicaria à minha noite por que razão eu também tenho medo do dia. Minha noite tem vontade de me vestir e me jogar para fora, para ir procurar o meu homem. Minha noite o espera. Meu corpo o espera. Minha noite quer que você repouse no meu ombro e que eu repouse no seu. Minha noite quer ser voyeur do seu gozo e do meu, ver você e me ver estremecer de prazer. Minha noite quer ver nossos olhares e ter nossos olhares cheios de desejo. Minha noite é longa, muito longa. Perde a cabeça, mas não pode afastar de mim a sua imagem, não pode fazer desaparecer o meu desejo. Ela morre por saber que você não está aqui, e me mata. Minha noite o procura sem cessar. Meu corpo não consegue conceber que algumas ruas ou uma geografia qualquer nos separe. Meu corpo enlouquece de dor por não poder reconhecer no meio da minha noite a sua silhueta ou a sua sombra. Meu corpo gostaria de beijá-lo em seu sono. Meu corpo gostaria em plena noite de dormir e, nessas trevas, ser despertado com os seus beijos. Minha noite não conhece hoje sonho mais belo e mais cruel do que esse. Minha noite grita e rasga os seus véus, minha noite se choca contra o próprio silêncio, mas meu corpo continua impossível de ser encontrado. Você me faz tanta falta, tanta. E suas palavras. E sua cor.
(Carta a Diego ausente, Cidade do México, 12 de setembro de 1939. Não enviada)

Murmúrio – Cecília Meireles



 
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!

Do amor - Hilda Hilst


Costuro o infinito sobre o peito
E no entanto sou água fugidia e amarga
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedra, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hematoma da infidelidade – Marina Colasanti.



Tenho um coágulo na alma
sangue preto pisado
que amor nenhum dissolve.
Pertenço à eterna estirpe
das traídas
mulher que tece e fia
enquanto o macho
entre as coxas de outra
afia mentira e gozo.
É sempre o mesmo macho
sempre o mesmo percurso.
Nenhum me foi fiel
a mim a minha mãe
minhas irmãs.
E nenhuma de nós
soube achar o caminho
que sem sair do amor
conduz á indiferença.

Fernando pessoa



Outrora eu era daqui, e hoje regresso estrangeiro, forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim. Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei. Eu reinei no que nunca fui.




quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Por Onde Andei - Nando Reis



Desculpe
Estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei
Errado e eu entendo

As suas queixas tão justificáveis
E a falta que eu fiz nessa semana
Coisas que pareceriam óbvias
Até pra uma criança

Por onde andei?
Enquanto você me procurava
Será que eu sei?
Que você é mesmo
Tudo aquilo que me faltava

Amor eu sinto a sua falta
E a falta, é a morte da esperança
Como um dia que roubaram o seu carro
Deixou uma lembrança

Que a vida é mesmo
Coisa muito frágil
Uma bobagem
Uma irrelevância
Diante da eternidade
Do amor de quem se ama

Por onde andei?
Enquanto você me procurava
E o que eu te dei?
Foi muito pouco ou quase nada
E o que eu deixei?
Algumas roupas penduradas
Será que eu sei?
Que você é mesmo
Tudo aquilo que me falta

Don't You Remember - Adele

 

Quando vou vê-lo novamente?
 
Você se foi sem Adeus, nenhuma palavra foi dita

Nem um beijo de despedida para selar nada

Eu não sabia nada sobre o estado em que estávamos


Eu sei que tenho um coração inconstante e amargura

E o olhar errante, e um peso na minha cabeça.


Mas você não se lembra?

Não se lembra?

A razão que me amou antes,

Amor, por favor lembre de mim mais uma vez.


Quando foi a última vez que você pensou em mim?

Ou você me apagou completamente da sua memória?

Muitas vezes penso sobre onde eu errei,

Quanto mais eu penso, menos eu sei.


Eu sei que tenho um coração inconstante e amargura

E o olhar errante, e um peso na minha cabeça.


Mas você não lembra?

Não lembra?

A razão que me amou antes,

Amor, por favor lembre de mim mais uma vez.


Eu te dei espaço para que pudesse respirar,

Eu mantive minha distância, assim você iria ser livre,

Eu espero que você encontre a peça que faltava

Para trazer você de volta para mim.


Porque você não se lembra?

Você não se lembra?

A razão que me amou antes,

Amor, por favor lembre de mim mais uma vez.


Quando vou vê-lo novamente?

Meu Plano - Lenine




Meu plano era deixar você pensar o que quiser
Meu plano era deixar você pensar
Meu plano era deixar você falar o que quiser
Meu plano era deixar você falar
Coisas sem sentido, sem motivo, sem querer
Andei fazendo planos pra você

Engano seu achar que fosse brincadeira
Engano seu
Aconteceu de ser assim dessa maneira
O plano é meu
Mesmo sem motivo ,sem sentido, sem saber
Andei fazendo planos pra você

Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos
Deixo tudo ao largo
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você

Meu plano era deixa você fugir quando quiser
Meu plano era esperar você voltar
Engano meu achar que o plano é passageiro
Engano meu
Acho que o destino antes de nos conhecer
Fez um plano pra juntar eu e você

Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos
Deixo tudo ao largo
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você

Lia de Itamaracá


Maria Madalena Correia do Nascimento nasceu no dia 12 de janeiro de 1944, na ilha de Itamaracá, Pernambuco.
Sempre morou na Ilha e começou a participar de rodas de ciranda desde os 12 anos de idade. Foi a única de 22 filhos a se dedicar à música. Segundo ela, trata-se de um dom de Deus e uma graça de Iemanjá.
Mulher simples, com 1,80m de altura, canta e compõe desde a infância e hoje é considerada a mais famosa cirandeira do Nordeste brasileiro.
Trabalha como merendeira numa escola pública da rede estadual de ensino e, nas horas vagas, dedica-se à musica e à ciranda, além de cantar e compor cocos de roda e maracatus.
A compositora Teca Calazans foi uma das primeiras pessoas interessadas na cultura popular nordestina a descobrir o seu talento e acabaram fazendo alguns trabalhos em parceria, como o resgate de músicas em domínio público e composições.
Maria Madalena começou a ficar conhecida como Lia de Itamaracá, nos anos 1960 e é a fonte de um refrão famoso, recolhido pela compositora Teca Calazans: Oh cirandeiro/cirandeiro oh/ a pedra do teu anel brilha mais do que o sol. A estes versos Teca incorporou uma toada informativa, que também teve grande sucesso: Esta ciranda quem me deu foi Lia/ que mora na ilha de Itamaracá.
Em 1977, Lia gravou seu primeiro disco, intitulado A rainha da ciranda,não recebendo, no entanto, nenhum pagamento pelo trabalho.
Mais de duas décadas depois foi redescoberta, quando o produtor musical Beto Hees a levou para participar do festival Abril Pro Rock, realizado no Recife e em Olinda, em 1998, onde fez grande sucesso e tornou-se conhecida em todo o Brasil. Antes ela só era famosa em Pernambuco e entre compositores e estudiosos da cultura popular nordestina.
Em 2000, saiu seu CD Eu Sou Lia, lançado pela Ciranda Records e reeditado pela Rob Digital, cujo repertorio incluía coco de raiz e loas de maracatu, além de cirandas acompanhadas por percussões e saxofone.
O CD acabou sendo distribuído na França por um selo de world music e a voz rascante de Lia chamou a atenção da imprensa internacional, que começou a batizar suas canções de trance music, numa tentativa de explicar o “transe” que o som causava no público.
Mesmo obtendo um sucesso tardio, fez turnês internacionais obtendo muitos elogios. O jornal The New York Times a chamou de “diva da música negra”.
No Brasil, Lia também conquistou mais espaço. Participou com uma faixa no CD Rádio Samba, do grupo Nação Zumbi, teve seu nome citado em versos dos compositores pernambucanos Lenine e Otto, e críticos de música a comparam a Clementina de Jesus.
As cirandas pernambucanas de Lia são cantadas por muitos.Referencial da cultura pernambucana, Lia de Itamaracá, hoje, é uma das lendas vivas do Estado e continua morando na ilha de Itamaracá.

Fonte:http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?opti

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Todas as Cartas de Amor são Ridículas - Álvaro de Campos



Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Nascimento de Jesus, Um Cordel sobre o Natal.


Textos: Euriano Sales
Ilustrações: Meg Banhos
Locução e Edição: Euriano Sales
Trilha: Sa Grama

Pablo Neruda




Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Longe de Onde - Karina Buhr

 
 
O disco novo de Karina Buhr, ‘Longe de Onde’, tem uma banda de respeito centrada na voz de Buhr, baixo de Mau, bateria de Bruno Buarque, teclados de André Lima, trompete de Guizado e guitarras de Edgard Scandurra e Fernando Catatau.
O álbum abre com uma paulada na orelha ‘Cara palavra’, que tem poesia concreta que e é quase um punk-rock-hardcore. Depois segue a singela parceria de Catatau, Buhr, Buarque e Mau, ‘A pessoa morre’, com a característica guitarrinha prog-brega de Catatau.
O quase calipso ‘Não me ame tanto’ tem auxílio luxuoso de Guizado no trompete e uma letra deliciosamente com duplo sentido. Em ‘Guitarristas de Copacabana’ há o duelo das guitarras de Scandurra e Catatau. ‘Sem fazer idéia’ também tem o trompete de Guizado, mas é a letra de Karina que chama atenção à sua capacidade de criar imagens poéticas e oníricas.
‘Pra ser romântica’ também tem a guitarra de Catatau e sua forte influência, nessa bela balada rockenrou. ‘Cadáver’ é o reggae do disco. ‘The war’s dancing floor’ tem forte poesia em inglês e tem na sequência ‘Copo de veneno’, que pode até se considerada como uma quase continuação.
Em ‘Amor brando’, Karina canta acompanhada apenas da guitarra de Scandurra, numa canção de singela beleza. O disco encerra com ‘Não precisa me procurar’, composição característica de Karina Buhr, com final apoteótico calcado na guitarra de Scandurra e trompete de Guizado.
O certo é que esse álbum é extremamente autoral. O segundo solo de Karina Buhr é um belo exemplar da nova música popular brasileira. Imperdível em qualquer estante.

Músicas:

1.  Cara palavra
2. A pessoa morre
3. Não me ame tanto
4. Guitarristas de Copacabana
5. Sem fazer idéia
6. Pra ser romântica
7. Cadáver
8. The war’s dancing floor
9. Copo de veneno
10. Amor brando
11. Não precisa me procurar


Fonte: http://euovo.blogspot.com/2011/10/mais-perto-de-agora-que-longe-de-onde.html

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Os novos delas: Maria Gadú e Gal Costa



Maria Gadú – Mais Uma Página



Principal revelação musical da Som Livre nos últimos anos, a cantora e compositora de MPB Maria Gadú lança seu 2º álbum de carreira. Cuidadosamente concebido e trabalhado, o disco produzido por Rodrigo Vidal traz várias inéditas.

01 No Pé Do Vento
02 Anjo de Guarda Noturno
03 Taregué
04 Estranho Natural
05 Like a Rose
06 Oração ao Tempo
07 Quem? ( part. Esp.: Lenine)
08 Axé Acappella
09 Reis
10 Linha Tênue
11 Extranjero
12 A Valsa (Part. Esp.: Marco Rodrigues)
13 Long Long time
14 Amor de Índio

Gal Costa – Recanto



Depois de 6 anos Gal Costa está de volta! Com Canções inéditas de Caetano Veloso feitas especialmente para ela. Produção Caetano e Moreno Veloso Um disco ousado como é Gal.
 
01 Recanto Escurto
02 Cara Do Mundo
03 Autotune Auterotico
04 Tudo Doi
05 Neguinho
06 O Menino
07 Madre Deus
08 Mansidao
09 Sexo E Dinheiro
10 Miami Maculele
11 Segunda

Carmen Miranda




Carmen Miranda é até hoje a cantora brasileira que mais fez sucesso no exterior. Dona de um estilo absolutamente único e particular, tanto na maneira de cantar como na performance de palco, teve uma vida de mito, cheia de glórias e dramas. Nascida em Portugal, veio para o Brasil ainda bebê, fixando-se com a família no Rio de Janeiro. Aos 15 anos começou a trabalhar numa loja de chapéus. Em 1928 conheceu o compositor e violonista Josué de Barros, que a convidou para participar de um festival beneficente e mais tarde a levou para o rádio. A primeira gravação veio em 1929, pela Brunswick, tendo de um lado o samba "Não Vá Simbora" e o choro "Se o Samba É Moda", ambas de Josué. Carmen gravou alguns outros discos antes de estourar com seu primeiro grande sucesso, a marchinha "Pra Você Gostar de Mim (Taí)" (Joubert de Carvalho), que bateu recordes de venda, com 36.000 cópias. A partir daí, gravou diversos discos, fez cinema, trabalhou em dupla com sua irmã Aurora, fez parte da história do lendário Cassino da Urca, onde, em 1938 usou pela primeira vez o traje de baiana que a celebrizaria mundo afora. No Cassino conheceu um empresário norte-americano que a convenceu a ir para os Estados Unidos. Acompanhada pelo Bando da Lua, a maior estrela do Brasil deixou uma legião de fãs chorando na sua despedida e chegou à América em 1939 totalmente desconhecida e sem falar inglês. Em pouco tempo fez participações em programas de grande audiência, cantando músicas como "Mamãe Eu Quero", "Tico-tico no Fubá", "O Que É Que a Baiana Tem?" e "South American Way" e se tornou um fenômeno também nos EUA, onde chegou a ser a segunda estrela mais bem paga de Hollywood. No total, participou de dez filmes em Hollywood e ficou conhecida como a Brazilian Bombshell.

Carmen por Romero Brito

Em 1940 voltou rapidamente ao Brasil, onde a população a recebeu com euforia, à exceção do público do Cassino da Urca, que a tratou com indiferença e frieza. Arrasada, Carmen encomendou uma música sobre a situação, e gravou "Disseram que Voltei Americanizada" (V. Paiva/ L. Peixoto). Depois disso voltou para os EUA e se radicou em Beverly Hills, onde continuou sua carreira de cantora e atriz de cinema e televisão. Em 1954 as pressões da indústria do entretenimento causaram uma crise de nervos, e a Pequena Notável veio ao Brasil para se tratar e descansar. Voltou para Beverly Hills em 55, e em agosto teve um colapso cardíaco e morreu, depois de passar mal em um programa de televisão. Seu corpo foi embalsamado e veio de avião para o Brasil, onde uma multidão de um milhão de pessoas seguiu o cortejo de seu enterro. Carmen continuou sendo sempre lembrada por meio de shows e discos de homenagens, filmes, documentários sobre sua vida (como o premiado "Banana Is My Business", de Helena Solberg). Seu acervo está preservado no Museu Carmen Miranda, no Rio de Janeiro.  

             

Cesaria Évora



A lendária cantora cabo-verdiana Cesaria Évora morreu neste sábado (17) em um hospital de Cabo Verde, anunciou o ministro da Cultura deste país, Mario Lúcio Sousa.
Évora, de 70 anos e cantora de fama internacional, abandonou definitivamente os palcos há três meses por problemas de saúde.
A cantora sofria há vários anos de diversos problemas e chegou a ser submetida a sérias operações, incluindo uma cirurgia cardíaca em maio de 2010.
"Não tenho forças, não tenho energia. Gostaria que dissessem aos meus admiradores: sinto muito, mas agora preciso descansar. Lamento infinitamente ter que me ausentar devido à doença, gostaria de dar ainda mais prazer aos que me seguiram durante tanto tempo", disse Évora ao jornal francês Le Monde ao anunciar o fim de sua carreira, no dia 23 de outubro.
Esta ex-cantora de bares na cidade de Mindelo, na ilha de San Vicente, tornou-se subitamente uma celebridade mundial com seu terceiro disco, "Miss perfumado", em 1992, e pouco depois realizou dois shows triunfais em Paris.
Évora ficou conhecida como a "diva dos pés descalços", título de seu primeiro disco (lançado em 1988), por cantar sem sapatos em suas atuações, em homenagem aos mais pobres, e as letras de suas canções frequentemente eram dirigidas a essas pessoas.

Embora o sucesso tenha chegado tarde para esta artista, que, na época, já tinha mais de 50 anos, ele nunca parou de crescer.
A artista recebeu em 2009 a insígnia da Ordem da Legião de Honra da França depois de mais de 45 anos de carreira musical, incluindo seus 14 álbuns.
Depois de se retirar dos palcos, Évora comemorou com simplicidade seus 70 anos no dia 27 de agosto.

Definição de Filho

 
 
Definição de filho: "Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo". (Texto atribuído a José Saramago)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Os Diferentes - Artur da Távola


Diferente não é quem o pretenda ser. Este é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente. Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados. Para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não agüentarem, caso um dia venham a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição. O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido com ele por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias são adiadas; esperanças são mortas. Um diferente medroso, este sim acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou. Os diferentes muito inteligentes entendem por que os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porque de quem o agride. O diferente começa a sofrer cedo, desde o curso primário, onde os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns professores por omissão (principalmente os mais grossos), se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial, em aleijão e caricatura. O diferente carrega desde cedo apelidos e carimbos nos quais acaba se transformando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores. Os diferentes aí estão: enfermos; paralíticos; machucados; gordos; magros demais; bonitos; inteligentes em excesso; bons demais para aquele cargo; excepcionais; narigudos; barrigudos; joelhudos; pé grande; feios; de roupas erradas; cheios de espinhas; de mumunha; malícia ou baba; os diferentes aí estão, doendo e doando, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais. A alma dos diferentes é feita de uma luz além. A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes. Jamais mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.

sábado, 10 de dezembro de 2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Lua Adversa - Cecília Meireles




Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Se Puder Sem Medo - Oswaldo Montenegro


Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

ENVELHECER: COM MEL OU FEL? – Afonso Romano de Sant’Anna



         Conheço algumas pessoas que estão envelhecendo mal. Desconfortavelmente. Com uma infelicidade crua na alma. Estão ficando velhas, mas não estão ficando sábias. Um rancor cobre-lhes a pele, a escrita e o gesto. São escritos azedos do mundo. Em vez de críticos, aliás, estão ficando críticos sem nenhuma doçura nas palavras. Estão amargos. Com fel nos olhos.
         E alguns desses, no entanto, teriam tudo para ser o contrário: aparentemente tiveram sucesso em suas atividades. Maior até do que mereciam. Portanto, a gente pensa: o que querem? Porque essa bílis ao telefone e nos bares. Porque esse resmungo pelos cantos e esse sarcasmo público que se pensa humor?
         Isto está errado. Errado, não esteja simplesmente errado, mas porque tais pessoas vivem numa infelicidade abstrusa. E, ademais, deveria-se envelhecer maciamente. Nunca aos solavancos. Nunca aos trancos e barrancos. Nunca como alguém caindo num abismo e se agarrando nos galhos e pedras, olhando em pânico para o buraco enquanto despenca. Jamais, também, como quem está se afogando, se asfixiando ou morrendo numa câmara de gás.
         Envelhecer deveria ser como plainar. Como quem não sofre mais (tanto) com os inevitáveis atritos. Assim como a nave que sai do desgaste da atmosfera e vai entrando noutro astral, e vai silente, e vai gastando nenhum quase combustível, flutuando como uma caravela no mar ou uma cápsula do cosmo.
         Elefantes, por exemplo, envelhecem bem. E olha que é uma tarefa enorme. Não se queixam do peso dos anos, nem da ruga do tempo, e, quando percebem a hora da morte, caminham pausadamente para um certo lugar – o cemitério dos elefantes, e aí morrem, completamente, com a grandeza existencial só aos grandes permitida.
         Os vinhos envelhecem melhor ainda. Ficam ali nos limites de sua garrafa, na espessura de seu sabor, na adega do prazer. E vão envelhecendo e ganhando vida, envelhecendo e sendo amados, e, porque velhos, desejados. Os vinhos envelhecem densamente. E dão prazer...
         O problema da velhice também se dá com certos instrumentos. Não me refiro aos que enferrujam pelos cantos, mas a um envelhecimento atuante como o da faca. Nela o corte diário dos dias a vai consumindo. E, no entanto, ela continua afiadíssima, encaixando-se nas mãos da cozinheira como uma faca nova.
         Vai ver, a natureza deveria Ter feito os homens envelhecerem de modo diferente. Como as facas, digamos, por desgaste sim, mas nunca desgastante. Seria a suave solução: a gente devia ir se gastando, se gastando, se gastando até desaparecer sem dor, como quem, caminhando contra o vento, de repente, se evaporasse. E aí iam perguntar: cadê fulano? E alguém diria: gastou-se, foi vivendo, vivendo e acabou. Acabou, é claro, sem nenhum gemido ou resmungo.
         Isso seria muito diferente de ir envelhecendo por um processo de humilhações sucessivas, como essa coisa de ir deixando rins, pulmões, dentes e intestinos pelas mesas de cirurgias, numa mutiladora dispersão.
         Acho que o que atrapalha alguns maus envelhecedores é a desmensurada projeção que fizeram de si mesmos. Se dimensionaram equivocadamente. Deveria ser proibido, por algum mecanismo biológico, colocarmos acima de nossas forças. Seria a única solução para acabar de vez com a fábula da raposa e as uvas. Assim a raposa não envelheceria resmungando por não ter devorado o  que não lhe pertencia. Deveria, portanto, haver um relais, que desligasse nossos impulsos toda vez que quiséssemos saltar obstáculos para os quais não temos músculos. Assim, sofreríamos menos e não amargaríamos não ter tido certas mulheres, certos reinos, escrito certas obras-primas.
         A literatura tem lá seus personagens símbolos a esse respeito: o Fausto e o Darian Gray. Apavorados com a velhice de volta. Não deu certo. O diabo não joga para perder. Dizem que a única vez que foi realmente derrotado foi naquela disputa com o próprio Deus a respeito de Jó. Mesmo assim, deu um trabalho danado.
         Especialista vão dizer que envelhece mal o indivíduo que não realizou suas pulsões eróticas essenciais; aquele de deixou coagulada ou oculta uma grande parte de seus desejos. Isto é verdade. Parcial, porém. Pois não se sabe por que estranhos caminhos de sublimação, há pessoas que, embora, embora roxas de levar pancada na vida, têm, contudo, um arco-íris na alma.
         Bilac dizia que a gente deveria aprender a envelhecer com as velhas árvores. Walt Whitman tem um poema onde vai dizendo: “Penso que podia ir viver com os animais que são tão plácidos e bastam-se a si mesmos”.
         Ainda agora tirei os olhos do papel e olhei a natureza em torno. Nunca vi o Sol se queixar no entardecer. Nem a Lua chorar quando amanhece.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Por Onde Andará: Lulo

Sempre prefiro as vozes femininas, mas, às vezes me deparo com um cantor que me tira o fôlego, é o caso de Lulo. Dono de uma voz com timbre perfeito para o pop bom e agradável, esse rapaz surgiu como um meteoro e fez participações em novelas e reality show e como um cometa também desapareceu, dá uma saudade de ouvir algo novo na voz dele, mas, fazer o que né? Espero que vocês curtam esse que é seu único cd solo, lançado em 2001
MODERNIDADE
1 Modernidade        
2 Amor de reclame        
3 Cartas         
4 Controle         
5 Falta pouco...         
6 Meio do nada         
7 Deus         
8 Por um triz
9 Construção/Deus lhe pague (Chico Buarque)
10 Tudo passa         
11 Odara         
12 O trator, o sol e o saber        
13 Ser, estar        
Ou então ouve por aqui mesmo: 
 




 
 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Waldick: Sempre no Meu Coração



A atriz Patrícia Pillar demonstra talento na direção com o documentário Waldick: Sempre no Meu Coração, sua primeira experiência por trás das câmeras. O filme apresenta aspectos da vida pessoal, e o prazer em recitar versos, do introspectivo músico do interior baiano. O selo Coleção Canal Brasil, criado no intuito de privilegiar a divulgação de filmes nacionais (documentários e ficção), lançou o DVD do documentário em agosto e pretende distribuir 14 títulos até o fim de 2011.

A partir de 2005, Patrícia Pillar decidiu acompanhar o cantor em shows pelo sertão do Ceará, Bahia e São Paulo. Com uma pequena equipe de filmagem, Patrícia mesclou imagens das apresentações e entrevistas com pessoas que passaram pela vida do músico.

Tecnicamente, os méritos da obra são incontestáveis. Enquanto o automóvel percorre uma estrada de interior, o plano detalhe no chapéu preto – acessório marcante na indumentária do cantor – ilustra a abertura de Waldick: Sempre no Meu Coração. A fotografia que mostra a luz dura do sertão, os planos próximos nos rostos dos entrevistados, e a subjetividade dos quadros que compõem imagens de shows, comprovam a habilidade de Patrícia Pillar em manter-se próxima ao personagem, centrada no vínculo íntimo com uma figura marcada por diversas nuances.

Melancólico, romântico, reflexivo ou cafajeste, beberrão ou solitário? O músico que se vestia de preto por causa do apreço pelo herói Durango Kid era uma figura humana interessante, justamente por não se ater a uma ou outra categoria. Era vasto e pulsante, como sua própria vida.

Mulherengo, não se sabe, ao certo, quantas mulheres amou (ou se de fato amou alguma), mas muitas passaram por sua vida, encantadas pelos sábios versos de um trovador que não gostava de ser chamado de ‘brega’, ou ‘cafona’. Identificava-se como cantor romântico. Waldick vivia como numa espécie de roadie movie, em eterno movimento, sem prender-se a amores duradouros. Antes de ser estrela da música romântica, Waldick Soriano foi engraxate, lavrador e garimpeiro. Gravou o primeiro disco nos anos 1960, em São Paulo, e ao longo de 18 anos mais de 28 LP´s foram lançados.


Waldick: Sempre no Meu Coração – 58 min
Brasil – 2009

Direção: Patrícia Pillar
Roteiro: Patrícia Pillar, Fausto Nilo, Quito Ribeiro

FONTE: http://www.cinemanarede.com/2011/09/critica-waldick-sempre-no-meu-coracao.html